Depois de quase duas décadas administrando a Faixa de Gaza, o Hamas anunciou a dissolução de seu Comitê de Emergência do Governo, órgão que supervisionava os ministérios do território palestino. A medida abre caminho para a entrada do Comitê Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinos e apoiado pelos Estados Unidos, previsto no plano de paz negociado sob mediação do governo americano.
Segundo porta-vozes do grupo palestino, a decisão busca remover pretextos para que Israel continue sua ofensiva militar no território. Apesar do anúncio, o Hamas manteve o controle da segurança e da polícia nas áreas que ainda administra, e o comunicado não mencionou o desarmamento do grupo, uma das principais exigências de Israel para avançar às fases seguintes do acordo de cessar-fogo. O Conselho de Paz, órgão internacional criado para supervisionar a transição e presidido pelo presidente dos Estados Unidos, afirmou que sua avaliação será guiada por ações concretas, e não apenas por promessas.
A situação no terreno segue tensa. Segundo o Ministério da Saúde palestino, mais de mil pessoas morreram em ataques israelenses em Gaza desde o início do cessar-fogo, e as forças de Israel ocupam hoje cerca de setenta por cento do território, concentrando a população palestina em uma área cada vez mais reduzida.
A força internacional prevista para viabilizar a transição de poder ainda não foi implementada, e o cronograma para que o novo comitê tecnocrático assuma efetivamente a administração de Gaza permanece incerto, apesar dos esforços dos principais mediadores do acordo, Catar, Turquia e Egito, para demonstrar avanços concretos ao governo americano.







