Diante do aumento de enchentes, deslizamentos e ondas de calor, cidades brasileiras têm adotado as chamadas soluções baseadas na natureza, estratégias que usam vegetação e ecossistemas, em vez de apenas obras de concreto, para tornar o ambiente urbano mais resiliente. Em vez de simplesmente canalizar a água da chuva, a lógica é criar espaços que permitam ao solo absorvê-la, aliviando a pressão sobre bueiros e sistemas de drenagem tradicionais.
São Paulo é uma das cidades mais avançadas nesse processo. O município incorporou as soluções baseadas na natureza aos próprios manuais oficiais de drenagem e desenho urbano, com jardins de chuva implantados em diversas regiões e parques lineares construídos ao longo de córregos, tratados como parte da infraestrutura, e não como paisagismo acessório.
Belo Horizonte também avançou nessa direção, lançando um plano para reduzir a impermeabilização do solo em áreas historicamente afetadas por alagamentos, ampliando espaços verdes em meio à malha urbana. Santos e Campinas, no interior e litoral paulista, mantêm programas próprios de jardins de chuva e recuperação de vegetação em áreas degradadas.
Outro exemplo citado por especialistas é o Parque Pajeú, em Sobral, no Ceará: uma área de 51 mil metros quadrados requalificada com plantio de árvores, jardim filtrante para tratamento natural de esgoto e equipamentos de lazer, unindo drenagem, saneamento e convívio social em um mesmo espaço. Na região metropolitana do Rio de Janeiro, o parque linear na Lagoa de Piratininga é outro projeto de referência, com jardins filtrantes e recuperação de ecossistemas aquáticos ao longo de 680 mil metros quadrados.
Pesquisadores da área reforçam que essas soluções não substituem a infraestrutura tradicional, mas aumentam sua eficiência quando bem integradas ao planejamento urbano, com estudos indicando redução expressiva de temperatura local em áreas mais arborizadas e menor pico de vazão em eventos de chuva intensa. O desafio, segundo especialistas, é ampliar essas experiências ainda pontuais para uma escala nacional, priorizando periferias e regiões historicamente mais vulneráveis a desastres climáticos.







