A Prefeitura de Vitória (PMV) está intensificando o diálogo com famílias atípicas por meio de reuniões periódicas, fortalecendo a construção de políticas públicas. A iniciativa, que ocorre semanalmente com lideranças comunitárias das regionais da cidade, foi ampliada para incluir um espaço permanente voltado a essas famílias. Participam dos encontros a prefeita, secretários municipais, representantes de órgãos da administração e mães, pais, responsáveis e associações que defendem os direitos das pessoas com deficiência.
O propósito é ouvir diretamente as necessidades de quem convive diariamente com os desafios da inclusão, estabelecendo um diálogo claro e aproximando a gestão municipal da comunidade. Durante as reuniões, os participantes expõem sugestões, compartilham dificuldades e apontam demandas em áreas como saúde, educação, assistência social, mobilidade e acessibilidade.
A prefeita comentou que o formato foi inspirado nos encontros com as lideranças comunitárias das regionais de Vitória, estendendo esse modelo de escuta para as famílias atípicas.
“A ideia dessa reunião é muito parecida com o que já fazemos nas regionais, um modelo que tem dado muito certo. Queremos que cada associação e cada representante tenha seu momento para apresentar as principais demandas, e que os secretários possam responder e encaminhar as questões. O nosso objetivo é escutar, gerar sensibilidade para esses temas e construir soluções de forma conjunta. Sabemos que nem tudo será resolvido em um único encontro, mas queremos que este seja um espaço permanente de diálogo, onde as famílias se sintam acolhidas e possam participar da construção das políticas públicas”, afirmou a prefeita.
Entre as manifestações, a presidente da Associação de Mães, Pais e Amigos de Autistas do Espírito Santo (Amaes), Pollyana Paraguassu, agradeceu à Prefeitura pela criação do espaço de escuta e destacou a importância de ampliar o suporte às pessoas com transtorno do espectro autista após o encerramento do atendimento clínico. Como sugestão, propôs a criação de uma rede de apoio para que essas pessoas e suas famílias não fiquem desamparadas após a alta. Em resposta, as Secretarias Municipais de Saúde e de Assistência Social informaram que irão discutir, em conjunto, alternativas para estruturar esse acompanhamento.
Outra demanda foi apresentada por Erika Almeida, representante da Associação Capixaba de Paralisia Cerebral (ACPC), que solicitou esclarecimentos sobre os encaminhamentos para atendimento com nutricionistas. A equipe da Secretaria Municipal de Saúde explicou o fluxo de encaminhamento, detalhando como funciona o acesso ao serviço e esclarecendo as dúvidas apresentadas durante a reunião.
As demandas são debatidas diretamente com os gestores responsáveis, que esclarecem dúvidas, apresentam encaminhamentos e avaliam soluções de acordo com a competência de cada secretaria. A proposta é tornar os encontros um canal permanente de construção coletiva, garantindo que as políticas públicas sejam cada vez mais alinhadas às necessidades das pessoas com deficiência e de suas famílias.
A iniciativa reforça o compromisso da Prefeitura de Vitória com uma gestão participativa, baseada na escuta qualificada, no diálogo e na construção conjunta de soluções para promover mais inclusão, acessibilidade e qualidade de vida para a população.
Lei nº 10.363
Durante o encontro, a prefeita também sancionou a Lei nº 10.363, que institui diretrizes para a criação das chamadas Salas do Silêncio nas instituições de ensino públicas e privadas de Vitória. Os espaços serão destinados ao acolhimento e à autorregulação sensorial de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições neuroatípicas, contribuindo para a redução da sobrecarga sensorial e favorecendo a inclusão no ambiente escolar. A implementação nas escolas públicas ocorrerá de forma progressiva, conforme a disponibilidade orçamentária e as condições técnicas de cada unidade.







