A primeira-dama Janja da Silva afirmou que as críticas que recebe por conta da reputação de “gastadeira” em viagens internacionais, disseminada por adversários políticos, decorrem de “misoginia pura”.
Em conversa com o podcast Frente a Frente, promovido pela Folha de São Paulo e UOL, Janja declarou que suas atribuições como primeira-dama incluem compromissos que exigem, por exemplo, voos em classe executiva devido ao protocolo de segurança estabelecido pela Polícia Federal.
“Nunca se fala sobre eu ou o presidente Lula gastarmos demais; às vezes, colocam todos os custos de uma comitiva internacional na minha conta. Não posso viajar em classe econômica, preciso usar a executiva por questão de segurança. Se dependesse de mim, dispensaria a escolta, mas a Polícia Federal precisa me acompanhar. Existem algumas regras que devo cumprir.”
De acordo com Janja, algumas das críticas contra ela também visam atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT): “Eu presto contas, tudo o que faço é público, quando viajo há um briefing.”
Janja enfrenta críticas de parlamentares da oposição, especialmente acerca de suas agendas internacionais como primeira-dama, que incluem ações no combate à fome e à violência contra a mulher. Em abril, o Tribunal de Contas da União (TCU) arquivou de forma unânime todos os processos sobre gastos e viagens de Janja, concluindo que não houve irregularidades.
Nessa mesma entrevista, Janja afirmou que o Brasil nunca teve uma primeira-dama que “trabalhasse de fato”.
“Nós criamos uma normativa há dois anos […], regulamentamos questões internas para tornar tudo mais claro. A sociedade brasileira nunca teve uma primeira-dama que efetivamente trabalhasse. Vou ao Palácio do Planalto quase todos os dias, realizo reuniões, cumpro agendas e viajo a trabalho. De modo geral, a sociedade e a imprensa não estavam acostumados com essa atuação.”
Por fim, Janja pediu que o Congresso Nacional aprove o projeto de lei que criminaliza a misoginia, atualmente estagnado na Câmara dos Deputados. Para ela, o ódio contra a mulher é uma questão nacional e “apartidária”, que transcende qualquer crença religiosa.







