O Espírito Santo alcançou em 2024 o maior montante de crédito para inovação de toda sua trajetória. Conforme dados da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), negócios capixabas obtiveram R$ 107,4 milhões em financiamentos direcionados à pesquisa, desenvolvimento tecnológico, digitalização e criação de novos produtos, contrastando com os R$ 1,5 milhão de 2014. O incremento de 6.953% em dez anos evidencia uma transformação na maneira como as empresas locais vêm acessando recursos para investir em tecnologia, eficiência e novos empreendimentos.
O progresso também se reflete no número de projetos aprovados. Em 2014, apenas duas iniciativas foram contempladas pela Finep; em 2024, 32 projetos receberam aprovação. Esse resultado acompanha o reforço das políticas nacionais de estímulo à neoindustrialização, inteligência artificial, sustentabilidade e digitalização econômica, setores que passaram a concentrar bilhões de reais em verbas públicas para inovação.
Flávio Aguilar, sócio da Bbutton Ventures, avalia que os números mostram que o Estado passou a usufruir melhor das oportunidades disponíveis, ainda que haja margem para expansão. “O avanço é extremamente benéfico, pois sinaliza que um número maior de empresas encara a inovação como estratégia de crescimento. Contudo, quando observamos o potencial econômico capixaba, notamos que há uma demanda reprimida considerável”, afirma.
Conforme Yuri Nico, também sócio da consultoria, o principal obstáculo não reside na carência de recursos, mas na aptidão para estruturar projetos que atendam aos critérios exigidos pelos programas de financiamento. “Muitas organizações possuem boas ideias e necessidades reais de investimento, porém carecem de estrutura técnica para converter essas demandas em projetos financiáveis”, explica. A Finep apoia iniciativas ligadas à automação industrial, inteligência artificial, sustentabilidade e desenvolvimento de novos produtos, com condições mais vantajosas que grande parte das linhas convencionais do mercado.
Jales Cardoso, Secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação do Espírito Santo, considera que o salto de R$ 1,5 milhão para R$ 107,4 milhões estabelece um novo patamar na política de inovação capixaba. “Esse movimento indica a consolidação de um ecossistema de inovação capilarizado, com empresas progressivamente mais aptas a estruturar projetos de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e transformação digital”, declara. Ele destaca ainda que esse montante captado tende a se converter em novos produtos, patentes e empregos qualificados nos próximos anos.
Diante do crescimento da inteligência artificial, automação e metas de sustentabilidade, a previsão é que a procura por crédito para inovação continue em alta. Para Aguilar, esse momento também representa uma chance de aumentar a competitividade estadual. “Quanto mais empresas compreenderem que inovação pode ser financiada, maior será a capacidade de gerar competitividade, postos de trabalho qualificados e desenvolvimento econômico”, finaliza.
Eliakim Stutz, diretor de marketing da UpCities, afirma que os dados da Finep revelam que o Espírito Santo está consolidando um ambiente cada vez mais propício à inovação. Para ele, as empresas capixabas atualmente estão mais preparadas para investir em pesquisa e transformação digital, o que eleva a competitividade no Estado. “Mais do que um avanço numérico, esse movimento fortalece o ecossistema inovador, atrai novos investimentos, estimula a geração de empregos qualificados e contribui para um desenvolvimento econômico mais sustentável e baseado no conhecimento”, ressalta.







