Ao examinar esses fatores em conjunto, os pesquisadores constataram que eles justificavam parcialmente a ligação entre apneia e comprometimento da memória, mas não por completo. Isso sugere que outros mecanismos associados ao transtorno também podem impactar o cérebro.
Embora o trabalho não tenha explorado os mecanismos biológicos subjacentes, os autores mencionam que investigações prévias indicam que as pausas respiratórias frequentes durante o sono podem promover alterações cerebrais associadas à memória, devido à diminuição do oxigênio, à fragmentação do sono, a lesões nos vasos sanguíneos cerebrais e à redução da capacidade do cérebro de remover proteínas potencialmente nocivas, como o beta-amiloide, relacionado ao Alzheimer.
Limitações e próximos passos
Apesar dos achados, o estudo não permite afirmar que a apneia provoca demência. Isso se deve ao fato de que a pesquisa avaliou os participantes em um único instante, sem monitorar seu progresso ao longo do tempo.
Adicionalmente, o diagnóstico de apneia foi relatado pelos próprios voluntários, sem validação por testes como a polissonografia, tida como referência para detectar o problema. Os cientistas também desconheciam dados precisos sobre a severidade da apneia, bem como a duração e a adesão ao tratamento, elementos que podem afetar os desfechos.
Mesmo diante dessas restrições, o estudo corrobora uma evidência cada vez maior de que zelar pela qualidade do sono integra as estratégias de prevenção do declínio cognitivo.






