Estrangeiro não prioriza Brasil, diz CIO da Nau Capital

O Ibovespa tende a apresentar um desempenho abaixo do verificado em outros mercados emergentes nos próximos meses.

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Essa análise é de Mauricio Valadares, CIO da Nau Capital. Ele atribui a um conjunto de fatores domésticos e internacionais o quadro desfavorável para a bolsa brasileira.

De acordo com Valadares, dois pontos se sobressaem como os principais entraves a uma alta relevante do índice.

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“O patamar de taxa de juros no país é restritivo, com altas taxas nominais e altas taxas reais, o que por si só já impede uma valorização significativa do Ibovespa”, declarou.

Adicionalmente, a estrutura do índice, fortemente exposta a petróleo e minério de ferro, também colabora para uma perspectiva menos positiva.

Setor tecnológico atrai recursos externos, mas Brasil permanece de lado

Valadares esclareceu que a alteração na visão do investidor global sobre o Brasil está diretamente conectada ao progresso do setor tecnológico, sobretudo pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial.

Mercados como Taiwan, Japão e Coreia tornaram-se o foco por abrigarem companhias com revisões expressivas de lucros.

“O investidor global observa essas revisões e, claro, procura não ficar de fora desse movimento potencial”, afirmou.

Já que o Brasil não tem um segmento tecnológico de relevância equivalente, o país passou a ser encarado com menor prioridade pelos investidores estrangeiros.

No começo do recente conflito geopolítico, o Brasil chegou a se beneficiar da elevação do petróleo, devido à sua condição de exportador líquido.

Contudo, com a normalização dos preços da commodity — que recuaram a níveis abaixo dos registrados antes do conflito —, essa vantagem competitiva desapareceu.

“O Brasil perdeu essa vantagem competitiva que possuía no pico da guerra”, observou Valadares.

Para consolidar o mercado de capitais, é necessário superar juros elevados e instabilidade institucional

Ao examinar os obstáculos para uma consolidação mais sólida do mercado de capitais nacional, Valadares salientou que os juros altos são um fator restritivo, mas não exclusivo. Em sua opinião, aspectos institucionais também atuam de forma negativa.

“Escândalos como o recente caso do Banco Master, por exemplo, vão reduzindo o ânimo de grandes players institucionais globais para entrar com mais força no nosso mercado”, afirmou.

Para ele, o Brasil precisa evoluir em segurança jurídica e estabilidade para atrair o capital estrangeiro de forma mais consistente.

Eleições são vistas como continuidade, sem expectativa de reformas estruturais

Quanto ao efeito das eleições nos ativos financeiros, Valadares considera que o mercado já incorpora como cenário principal a continuidade do atual governo, com chances reduzidas de reformas estruturais significativas nos próximos quatro anos.

“A probabilidade de o governo atual tratar a questão fiscal de modo mais sustentável e definitivo nos próximos quatro anos é pequena”, disse.

Ele notou ainda que, mesmo com uma troca de poder, não haveria perspectiva de transformações drásticas, o que justifica o tema eleitoral permanecer em segundo plano no mercado.

Valadares não excluiu, no entanto, que o assunto possa se tornar mais relevante conforme a data da eleição se aproxima.

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