O contato das crianças com as telas é, antes de tudo, uma experiência de descoberta. Jogos, vídeos e aplicativos despertam a curiosidade, estimulam a imaginação infantil e oferecem novas formas de aprender e se divertir.
O mundo digital é fascinante e se apresenta como uma extensão natural do cotidiano de crianças e adolescentes. Por outro lado, para os pais, esse mesmo universo pode apresentar vários desafios. Um deles é o excesso de tempo que a criança fica diante de uma tela. A depender do tempo, pode comprometer aspectos importantes do desenvolvimento infantil, como a interação com a família, com os amigos e até a saúde física.
Pesquisa realizada com pais de crianças de 0 a 3 anos, aponta que eles sabem os benefícios de terem um tempo de qualidade com os filhos, mas não têm conhecimento sobre os prejuízos causados às crianças pelo uso excessivo de telas. Já os professores sabem dos prejuízos, causados pelo uso excessivo, na aprendizagem e na interação social. (Monteiro AD; Hermógenes APM; Duarte, DMF; Rodrigues MFG, 2020).
Importância das brincadeiras para o desenvolvimento infantil
A brincadeira é uma forma de interação da criança com adultos e com outras crianças, que possibilita que ela reproduza um aprendizado. As brincadeiras possibilitam o desenvolvimento da linguagem, permitem que a criança expresse suas emoções e o mundo imaginário, além de proporcionarem o desenvolvimento motor e cognitivo, a criatividade, resolução de problemas e habilidades sociais.
Quando uma criança cria e recria as regras do brincar, com criatividade e imaginação, ela expressa seu caráter ativo e transformador do próprio desenvolvimento. Brincar é muito mais do que uma diversão. É uma forma essencial de aprendizado na infância e na adolescência. Por isso, as brincadeiras contribuem para o desenvolvimento integral, em diferentes aspectos:
- Cognitivo: brincadeiras de faz de conta estimulam a atenção compartilhada, a criatividade e a imaginação.
- Social: brincadeira em grupo ensina a compartilhar, negociar regras, lidar com diferenças e frustrações.
- Emocional: brincar ajuda a expressar sentimentos, controlar emoções e desenvolver a autoconfiança.
- Físico: jogos e atividades recreativas fortalecem o corpo e promovem hábitos saudáveis.
- Cultural: estimulam a criatividade e conectam a criança aos seus costumes, hábitos, ampliam seus repertórios e valores.
O Estatuto Digital da Criança e do Adolescente – Lei no 15.211, de 2025 – ECA Digital passou a valer em março de 2026. Esse marco jurídico é importante por atualizar a proteção de crianças e adolescentes frente aos desafios pelo avanço das tecnologias e do ambiente digital.
A legislação foca na responsabilidade compartilhada entre atores, isto é, a proteção da criança no ambiente digital é dividida com famílias, sociedade, estado e com as plataformas. Na prática, a proteção deve acontecer nas redes sociais, jogos eletrônicos, aplicativos, plataformas de vídeo e serviços digitais que tenham crianças e adolescentes como usuários ou que possam atrair esse público.
Surge, então, a necessidade de estabelecer limites claros, promover equilíbrio entre atividades digitais e experiências fora do ambiente virtual, e acompanhar de perto o conteúdo consumido por crianças e jovens.
Aos pais cabe entender as ferramentas, para supervisionarem os conteúdos que seus filhos acessam, orientarem, estabelecerem limites para que o contato com as telas seja uma experiência saudável e educativa, sem perder de vista a necessidade de proteção e acompanhamento constante.
Assim, a partir de uma postura ativa dos adultos de cuidados, o uso da tecnologia pode ser positivo e pode apresentar oportunidades de aprendizado e entretenimento para todos.
Sugestão de leitura:
1. Brasil. Presidência da República. Casa Civil. Secretaria Especial para Assuntos Jurídicos. Lei n. 15.211, 17 de setembro de 2025. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/l15211.htm







