Projeto Palco Livre leva arte ao sistema prisional LGBTQIA+ e encerra ciclo com roda de conversa aberta ao público em Vitória
Se o teatro é o espelho da vida, imagina quando esse espelho atravessa grades, muros e preconceitos. Não é cena de filme premiado em Cannes (ainda), é realidade capixaba pulsando forte dentro do sistema prisional e agora ganhando espaço de debate na Universidade Federal do Espírito Santo (UFES). O projeto Palco Livre: Teatro no Presídio LGBTQIA+ transforma arte em ferramenta de dignidade, reflexão e reconstrução de histórias. Quando a arte encontra a diversidade, nasce a possibilidade de transformação.
No dia 10 de fevereiro, às 13h30, o público está convidado para uma Roda de Conversa no Núcleo de Direitos Humanos da UFES, próximo à Clínica Escola. Um encontro para ouvir, trocar e entender como o teatro pode ser resistência, cuidado e transformação social. E não precisa ingresso, só curiosidade e um pouco de sensibilidade (que não cobra meia). A programação convida a todes para trazer suas proprias perguntas e abrir conversas sobre o assunto.
Conduzida pelas monitoras Marissa Martins e Ana Carla, com mediação do coordenador do projeto, Antonio Marx, a conversa vai girar em torno de temas que não cabem mais debaixo do tapete.
Entre eles, o papel do teatro no sistema prisional, a arte como afirmação de identidades LGBTQIA+ e o compromisso da universidade na construção de uma sociedade mais justa. Tudo isso temperado com relatos reais de quem viveu a experiência por dentro do projeto.
“O teatro abre espaços de escuta, de expressão e de reconhecimento humano. Dentro do sistema prisional isso é ainda mais potente”, destaca Antonio Marx, servidor da UFES e idealizador do Palco Livre.
Do presídio ao palco: nasce “Manga Rosa, Coração Civil”
A experiência se materializou na peça “Manga Rosa, Coração Civil”, criada a partir das vivências de pessoas privadas de liberdade no Presídio de Segurança Média 2 (PSME-2). O projeto foi contemplado pelo Funcultura PNAB da Secretaria de Cultura do Espírito Santo, reforçando o papel das políticas públicas no acesso à arte. Foram quatro meses de oficinas semanais, com encontros de cerca de duas horas, reunindo quinze internos e internas em exercícios de expressão corporal, voz, jogos teatrais e improvisações.
“Foi uma verdadeira imersão artística e humana. Cada encontro era um convite ao autoconhecimento e à liberdade simbólica”, explica Antonio.
A equipe contou com estudantes universitárias de áreas como Fonoaudiologia e Terapia Ocupacional, mostrando como arte, saúde e educação caminham juntas quando o objetivo é transformação social.
Quando a universidade abre as portas (e os ouvidos)
A roda de conversa marca o encerramento do ciclo do Palco Livre, mas também abre novas perguntas: qual o papel da cultura na reintegração social? Como garantir dignidade dentro de sistemas de privação de liberdade? E por que ainda tratamos arte como luxo, quando ela é ferramenta de cidadania?
O teatro não derruba muros físicos, mas começa a desmontar os invisíveis. E esses, convenhamos, são os mais difíceis. Quem for à UFES vai sair com mais reflexões que certezas. E isso, em tempos de respostas rasas, já é um baita espetáculo.
SERVIÇO
PALCO LIVRE – Teatro no Presídio LGBTQIA+ – RODA DE CONVERSA NA UFES
Dia: 10/02
Local: Sala do NuDHS (próximo à Clínica Escola UFES)
Horário: Às 13:30
Aberta ao público







