O cálcio é um nutriente essencial para a saúde dos ossos e o bom funcionamento do corpo. Durante a gravidez, as necessidades do organismo aumentam, o que levanta uma dúvida comum: toda gestante precisa fazer suplementação de cálcio?
Um novo debate científico coloca em xeque uma prática comum no pré-natal: o uso generalizado de suplementos de cálcio. Embora o mineral seja tradicionalmente prescrito para prevenir a pré-eclâmpsia (hipertensão na gravidez), uma revisão recente da prestigiada organização Cochrane sugere que os benefícios podem ter sido superestimados.
O conflito: Ciência x Prática Clínica
A pré-eclâmpsia atinge entre 2% e 8% das gestações e é uma das maiores causas de morte materna e neonatal. O cálcio sempre foi visto como um aliado por relaxar os vasos sanguíneos e controlar o paratormônio, ajudando a manter a pressão sob controle.
A Revisão Cochrane (Dezembro/2025): Analisou 10 grandes estudos com mais de 37 mil mulheres. Ao focar apenas em dados de alta qualidade, os pesquisadores concluíram que o cálcio não reduziu significativamente a incidência de pré-eclâmpsia, partos prematuros ou mortalidade.
O Contraponto: Estudos menores anteriores indicavam benefícios. A Cochrane os descartou por problemas metodológicos, o que gerou a divergência atual.
Por que o Brasil mantém a recomendação?
Apesar dos dados da Cochrane, o Ministério da Saúde e a Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia de São Paulo (Sogesp) ainda defendem o uso do mineral. Os motivos são sociais e biológicos:
Contexto Nutricional: A população feminina brasileira tem, em geral, um baixo consumo de cálcio na dieta.
Equidade e Saúde Pública: A suplementação faz parte de estratégias como a Rede Alyne, focando especialmente na proteção de mulheres negras e indígenas, que sofrem desproporcionalmente com a mortalidade materna.
Segurança: O suplemento é considerado de baixíssimo risco em doses de 500 mg a 1.500 mg por dia.
O que as gestantes devem fazer?
Especialistas como a Dra. Ana Paula Beck, do Einstein, reforçam que o cálcio continua tendo um papel importante para grupos específicos.
“Ainda há espaço para a suplementação em pacientes de alto risco ou com baixa ingestão dietética do mineral.”
A orientação atual para quem está grávida é:
Não interrompa o uso por conta própria: O cálcio é seguro e os benefícios em populações com carência nutricional ainda são aceitos por órgãos como a OMS.
Ajuste de expectativas: O suplemento pode não ser a “cura milagrosa” universal, mas segue sendo uma camada de proteção importante.
Consulte seu médico: A decisão deve ser individualizada, baseada nos seus exames e hábitos alimentares.







