A saúde mental é uma das principais preocupações dos brasileiros. Segundo a pesquisa Ipsos Health Service Report de 2025, 52% da população considera o bem-estar emocional sua maior prioridade. Esse número supera até mesmo a preocupação com doenças como o câncer, citada por 37% dos entrevistados.
Globalmente, 45% das pessoas também colocam a saúde mental no topo de suas inquietações. Diante desse cenário, uma pergunta se torna fundamental: como transformar essa preocupação em ações práticas para o bem-estar psicológico? Com base em orientações de especialistas, reunimos as principais atitudes a serem adotadas a partir de 2026.
1 – Cuide dos fundamentos: sono, rotina e atividade física
A base de uma mente saudável está em hábitos simples, muitas vezes negligenciados. É essencial priorizar um sono de qualidade, manter uma alimentação em horários regulares e garantir que o corpo se movimente.
A falta de uma rotina estruturada prejudica a capacidade do organismo de regular emoções, atenção e memória, afetando diretamente a saúde psicológica. Por isso, definir horários para dormir e acordar, buscar a luz solar pela manhã e incluir exercícios físicos na rotina já traz benefícios significativos.
2 – Reduza a sobrecarga de estímulos digitais
As plataformas digitais são projetadas para manter o usuário engajado pelo maior tempo possível, muitas vezes por meio de conteúdos curtos e viciantes. Nesse contexto, o uso constante do celular pode gerar ansiedade, irritabilidade e problemas de concentração.
Para enfrentar esse excesso, algumas estratégias incluem limitar o tempo de tela, evitar dispositivos antes de dormir e estabelecer períodos do dia sem notificações. Essas medidas ajudam a reconectar-se com o mundo real, reduzir a sobrecarga mental e favorecer o equilíbrio emocional.
3 – Transforme sua relação com o estresse e a ansiedade
Estresse e ansiedade não devem ser vistos como fraquezas ou problemas a serem eliminados. Em geral, são respostas naturais do corpo a eventos da vida e podem funcionar como mecanismos de defesa.
A abordagem mais adequada não é ignorar essas sensações, mas reconhecê-las e validá-las. Práticas como exercícios de respiração e pausas intencionais podem facilitar a passagem por momentos desafiadores com mais clareza e menos desgaste.
“O primeiro passo para lidar bem é a validação: aceite que o estresse faz sentido diante da pressão atual. Depois, use estratégias de regulação fisiológica, como a respiração controlada ou o resfriamento facial, que costumam ajudar a acalmar o sistema nervoso. A ansiedade perde força quando você para de lutar contra ela e foca no que é possível fazer agora. É como dar um passo de cada vez rumo à saúde mental”, explica a psicóloga Flávia Marsola, do Hospital Brasília Águas Claras.
4 – Fique atento aos sinais de que algo não vai bem
Alguns indícios físicos podem refletir um desequilíbrio mental. Fadiga persistente mesmo após descanso, insônia recorrente, alterações de humor prolongadas e perda de prazer em atividades antes apreciadas podem sinalizar questões mais sérias.
Também é importante observar quando tarefas cotidianas, como trabalhar, estudar ou socializar, começam a exigir um esforço exagerado. Sintomas como esses, que fogem ao padrão normal, costumam indicar a necessidade de suporte profissional.
5 – Afaste-se da automedicação e de soluções improvisadas
O uso de remédios sem prescrição pode mascarar sintomas temporariamente, mas muitas vezes atrapalha um diagnóstico preciso. Em diversas situações, a medicação inadequada prejudica o sono, afeta a memória e pode criar dependência.
O cuidado adequado com a saúde mental requer avaliação profissional, que determinará se o tratamento envolve mudanças de hábitos, terapia psicológica ou, quando necessário, o uso de medicamentos.
“Medicamento não é sinônimo de tratamento, é uma ferramenta. Muitos quadros leves a moderados respondem muito bem a psicoterapia, mudanças de rotina, manejo do sono, atividade física e redução de fatores estressantes. Por outro lado, há situações em que o remédio não é opcional, é essencial, como em depressões graves, transtornos bipolares, psicoses e alguns quadros de ansiedade intensa. O bom tratamento é sempre individualizado, e não uma receita de bolo para cuidar da saúde mental”, ensina o psiquiatra Gustavo Yamin Fernandes, do Hospital Samaritano Higienópolis, em São Paulo.
6 – Busque apoio antes que o sofrimento se agrave
Procurar ajuda especializada não precisa ser uma medida de último recurso. A premissa é que quanto mais cedo começar o cuidado, menos complexo tende a ser o tratamento. A psicoterapia e o acompanhamento psiquiátrico são opções valiosas, pois ajudam no desenvolvimento de habilidades para gerenciar emoções, estabelecer limites e fazer escolhas.







