30 de janeiro de 2026
sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

BRICS acumulam ouro e impulsionam nova ordem financeira global

Os países do BRICS estão vivendo um momento histórico: a aliança entre Brasil, China, Rússia e outras nações está minando a supremacia do dólar. O bloco acumulou mais de seis mil toneladas de ouro e elevou o preço do metal a um recorde de US$ 4.900, sinalizando que uma nova ordem financeira mundial já está em curso.

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Uma mudança discreta nas reservas internacionais está reposicionando o ouro, pressionando o dólar e trazendo o BRICS de volta ao centro dos debates econômicos e geopolíticos. Isso acontece em um contexto de crescente tensão internacional, mudanças na política externa norte-americana e maior coordenação entre os bancos centrais das economias emergentes.

A valorização sem precedentes do ouro e a transformação na composição das reservas internacionais recolocaram o bloco no epicentro da discussão sobre o futuro da moeda norte-americana no comércio e nas finanças globais.

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Recentemente, o metal precioso ultrapassou a barreira de US$ 4.900 por onça troy e, depois, avançou para além de US$ 5.000. Esse movimento é impulsionado pela busca por ativos seguros e por uma onda de aquisições por grandes instituições.

Enquanto investidores e governos buscam proteção, um dado emblemático ganhou relevância. Estatísticas sobre reservas sugerem que o valor do ouro mantido por bancos centrais estrangeiros agora supera o montante aplicado por essas mesmas entidades em títulos do Tesouro dos Estados Unidos, um cenário que não era visto desde meados da década de 1990.

Alta do ouro reflete visão global sobre risco e confiança

O movimento recente não se resume a uma flutuação momentânea de preços. A trajetória de valorização do ouro tem sido sustentada por aquisições contínuas dos bancos centrais e pela percepção de que o ambiente geopolítico permanece mais instável do que o normal para padrões históricos.

Além disso, a alta do ouro foi acompanhada por um salto significativo da prata, que também rompeu a barreira de US$ 100 por onça, em meio à mesma corrida por proteção. Nos indicadores mais monitorados por analistas, a demanda institucional se mantém sólida.

A própria indústria do ouro, por meio de dados compilados por entidades internacionais do setor, tem registrado compras líquidas expressivas ao longo do ano, com destaque para os bancos centrais de mercados emergentes.

Ao comparar ouro e títulos do Tesouro americano, a diferença em valores absolutos pode variar conforme a metodologia e o período analisado. Contudo, o significado para os mercados é claro. O dólar segue sendo central para o sistema financeiro global, mas enfrenta um processo gradual de diversificação, no qual parte das reservas migra para ativos físicos e para outras moedas.

Estratégia do BRICS aponta para diversificação e menor dependência do dólar

A narrativa de que o BRICS lidera uma mudança de preferência entre dólar e ouro surge com frequência porque grandes integrantes do bloco estão entre os principais detentores e compradores do metal. China e Rússia figuram entre os maiores detentores globais de ouro, com estoques oficiais superiores a 2 mil toneladas cada, conforme dados amplamente divulgados.

O Brasil, por sua vez, registrou uma recomposição recente de suas reservas, com aumento para aproximadamente 145 toneladas, após aquisições realizadas ao longo do último ano.

Nesse contexto, a conta de mais de 6.000 toneladas para o conjunto de reservas dos membros do BRICS circula em compilações de mercado e reportagens especializadas, geralmente derivada da soma dos estoques oficiais de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul.

No entanto, a mudança mais significativa não está apenas no volume total. O sinal emitido ao mercado tem peso próprio. Quando bancos centrais fortalecem suas posições em ouro em vez de ampliar aplicações em dívida soberana americana, indicam preferência por diversificação, redução de riscos e menor exposição a sanções, bloqueios ou mudanças abruptas de política econômica.

Esse comportamento ganhou força após choques recentes na economia global e em um cenário onde decisões geopolíticas passaram a afetar, com maior frequência, os fluxos financeiros e as cadeias de suprimentos.

Discurso político entra no radar do mercado internacional

A discussão sobre uma possível nova ordem financeira não ficou confinada a relatórios e indicadores. Ela também passou a ocupar espaço no discurso político. Em declaração pública no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou a proposta do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de criar um chamado Conselho da Paz.

Segundo a avaliação do governo brasileiro, a iniciativa poderia competir politicamente com o sistema das Nações Unidas. Durante o evento, Lula afirmou que “o presidente Trump está fazendo uma proposta de criar uma nova ONU, em que ele sozinho é o dono da ONU”.

A fala foi feita no contexto da defesa do multilateralismo e da retomada da pauta de reforma do Conselho de Segurança, com a inclusão de novos países. Na mesma linha, o presidente brasileiro também condenou a intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro.

O episódio foi classificado como violação de soberania e tratado como exemplo do que o governo vê como avanço do unilateralismo.

China e Brasil alinham posições em meio à instabilidade global

A aproximação política com a China ganhou destaque em uma conversa telefônica entre Xi Jinping e Lula. Conforme relatos oficiais divulgados posteriormente, os dois líderes reiteraram o compromisso de fortalecer o papel central da ONU como instrumento para preservar a paz e a estabilidade internacional.

Do lado chinês, a mensagem foi de que China e Brasil, como países relevantes do Sul Global, devem atuar como forças construtivas em um cenário marcado por incerteza econômica e tensões geopolíticas.

Já o governo brasileiro destacou convergência na defesa do multilateralismo, do direito internacional e do comércio, além da disposição de aprofundar a coordenação dentro do BRICS. Esse alinhamento ajuda a explicar por que debates sobre moedas, sistemas de pagamento e reservas internacionais reaparecem sempre que o bloco ganha visibilidade.

Mesmo sem anúncios concretos e imediatos de uma alternativa única ao dólar, o BRICS tem sido associado a iniciativas que buscam ampliar o uso de moedas locais e reduzir custos e dependências em transações internacionais.

Com ouro em máximas históricas, bancos centrais reforçando compras e líderes usando fóruns multilaterais como espaço de disputa diplomática, até que ponto essa combinação entre finanças e política pode acelerar mudanças reais na arquitetura monetária global?

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