No clássico entre Flamengo e Fluminense, realizado no Maracanã neste domingo, os Ministérios do Esporte e das Mulheres promoveram uma campanha de combate à violência contra a mulher. A iniciativa reforçou que, diante desse crime, as rivalidades esportivas ficam de lado.
A ação parte do princípio de que clubes, atletas, torcedores e instituições têm a capacidade e a responsabilidade de se unir para conscientizar a sociedade, incentivar denúncias e enfrentar a violência de gênero. Isso é especialmente importante em eventos de grande aglomeração, como os clássicos do futebol brasileiro.
As mobilizações contra a violência dirigida às mulheres, em parceria entre o Governo Federal, a CBF e os clubes, tiveram início em 2024.
O ministro do Esporte, André Fufuca, ressaltou que o futebol exerce uma função social que vai além da competição. “O esporte educa, mobiliza e molda comportamentos. O futebol, por exemplo, atinge milhões de pessoas todos os dias. Por isso, os estádios também devem ser espaços de conscientização e de proteção à vida”, declarou.
De acordo com o ministro, que acompanhou a partida no Maracanã, a iniciativa busca alertar para estatísticas alarmantes. “Em dias de jogos, os registros de agressão contra mulheres aumentam, o que exige uma reação enérgica do poder público e da sociedade. Violência não é rivalidade, não é a emoção da partida e muito menos um traço cultural. Violência é crime. O esporte brasileiro entra em campo para enfrentá-la, dentro e fora dos estádios.”
Fufuca acrescentou que esta é a primeira de uma série de atividades. “Estamos em diálogo com as confederações para levar esse movimento de enfrentamento à violência contra a mulher a todos os estádios do país. Agradeço imensamente às direções do Flamengo e do Fluminense, grandes parceiras hoje, e queremos estender esse convite a todos os clubes brasileiros”, concluiu.
A campanha foi exibida em dois momentos da partida: antes do apito inicial e no intervalo, quando os gandulas entraram em campo com uma faixa contendo uma mensagem de combate à violência contra a mulher. A ação foi acompanhada por um vídeo animado nos telões do Maracanã, produzido pela Assessoria de Comunicação do Ministério do Esporte.
Ligue 180 e denuncie
O material audiovisual destaca que, no Brasil, quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia, muitas dentro de suas próprias casas, e que as agressões aumentam cerca de 25% em dias de jogos. A mensagem enfatiza que violência não é futebol, é crime, e divulga o canal de denúncia Ligue 180. Para a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, o posicionamento do futebol é estratégico no enfrentamento à violência de gênero.
“O futebol é uma das maiores expressões culturais do país e tem um poder imenso de mobilização social, especialmente entre o público masculino. Quando esse esporte se posiciona contra a violência, ele ajuda a romper o silêncio, a questionar atitudes e a reforçar que o respeito às mulheres é um valor inegociável, que precisa prevalecer dentro e fora dos gramados”, salientou.
Após as ações no estádio, a campanha continuará nas redes sociais do governo federal e dos Ministérios do Esporte e das Mulheres. Com essa iniciativa, os ministérios reafirmam o compromisso do Governo Federal com a proteção das mulheres, o combate à violência de gênero e a promoção de uma cultura de respeito dentro e fora dos estádios.






