Banco Digital também quebra: Will Bank é liquidado extrajudicialmente e deixa mais de 12 milhões de clientes sem saber o que fazer. Veja os passos!
Quem diria que um banco digital acabaria protagonizando um drama clássico, desses com três atos, reviravolta no final e plateia apreensiva. Imagine a cena: você está no auge da sua série favorita, a pipoca está no ponto, e de repente… a luz acaba. O sentimento de “e agora?” é exatamente o que muitos clientes da Will Financeira S.A. A liquidação extrajudicial do Will Bank, decretada pelo Banco Central no dia 21 de janeiro de 2026, não é apenas mais uma notícia do caderno de economia. É um enredo que mistura tecnologia, inclusão financeira, falhas de gestão, milhares de trabalhadores inseguros e milhões de clientes tentando entender se o dinheiro ainda está ali, quietinho, esperando o próximo capítulo. Spoiler: está, mas com ressalvas.
Criado com o discurso de democratizar o acesso ao crédito e aos serviços bancários, o Will Bank virou porta de entrada para milhões de brasileiros no sistema financeiro formal. Cartão de crédito, conta digital, Pix, CDBs com rentabilidade atraente. Tudo parecia simples, rápido e moderno. O problema é que, nos bastidores, o protagonista dependia de um coadjuvante instável: o Banco Master, seu controlador, já em dificuldades financeiras e sob investigação da Polícia Federal.
Quando o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master, em novembro de 2025, tentou preservar o Will Bank por meio do Regime Especial de Administração Temporária. A ideia era ganhar tempo, buscar um comprador e evitar o colapso imediato. Houve até negociações com um grupo estrangeiro. Não avançaram. Sem capital novo e com o controlador afundando, o roteiro ficou previsível, daqueles que o espectador atento já conhece o final antes dos créditos.
O ponto sem retorno veio em 19 de janeiro de 2026, quando a Will Financeira descumpriu compromissos com a Mastercard Brasil e teve sua participação no arranjo de pagamentos bloqueada. Sem cartões, sem operação. Dois dias depois, o Banco Central puxou o freio de mão definitivo.
Em nota oficial, o BC foi direto: a situação financeira estava comprometida e a ligação com o Banco Master tornava a liquidação inevitável. Também informou que os bens dos controladores e ex-administradores ficam indisponíveis, como prevê a legislação. Nada de plot twist salvador.
E o dinheiro do cliente, fica onde?
Aqui entra o Fundo Garantidor de Créditos, uma espécie de seguro do sistema financeiro. Ele garante até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição, considerando principal e rendimentos. CDBs, RDBs e outras aplicações elegíveis estão cobertos. Acima disso, o valor vira crédito a ser disputado na massa falida, geralmente com recuperação baixa.
O próprio FGC estimou que apenas a Will Financeira pode demandar cerca de R$ 6,3 bilhões em ressarcimentos. Somando Banco Master e Will Bank, o rombo pode chegar a quase R$ 50 bilhões, algo próximo de 30 por cento dos recursos disponíveis do fundo. Números grandes, desses que dão tontura até em planilha de Excel.
Não há um prazo determinado para que as solicitações de ressarcimento fiquem disponíveis. Mas o FGC informa que o tempo para início do pagamento costuma variar entre 30 e 60 dias.
Se para clientes o susto foi grande, para os trabalhadores o impacto foi imediato. Clientes do Will, no entanto, já podem baixar o aplicativo e se cadastrar na plataforma enquanto aguardam a liberação do dinheiro. O FGC notificará então quando a opção estiver disponível. É importante atentar para o fato de que o pagamento não ocorre de forma automática. É necessário de fato se manifestar através do FGC solicitando a devolução do dinheiro.
Então, se seu salário estiver cadastrado, não há risco de o salário cair na conta após o bloqueio: o depósito não será concluído. Já quem recebeu nos últimos dias e está com o dinheiro parado na conta não conseguirá reaver os recursos até a liberação para todos os clientes, através do FGC.
“O Pobre não tem um minuto de paz”.
Dívida não evapora
Um detalhe que costuma confundir: a liquidação do banco não perdoa dívidas. Empréstimos, financiamentos e cartões continuam válidos. O liquidante assume a cobrança, emite boletos e orienta os pagamentos. Ignorar não é opção. A obrigação continua firme, mesmo que o banco não exista mais.
Embora o conglomerado Master representasse menos de 1% dos ativos do sistema financeiro nacional, o episódio deixa marcas. Ele expõe fragilidades na governança de bancos digitais, levanta dúvidas sobre modelos de crescimento. E fica o lembrete incômodo: banco digital também quebra.
O Resgate: Como Receber seu Dinheiro
O pagamento da garantia exige organização. O processo não é instantâneo, mas é seguro. Atualmente, o Liquidante FGC está consolidando os dados para que ninguém fique de fora da lista de quem irá receber.
Para quem está buscando receber pelo CPF, o processo é todo pelo celular.
Baixe e Instale o App: Procure por “FGC” na sua loja de aplicativos.
Cadastro e Biometria: Faça o cadastro com os seus dados pessoais. O app vai pedir uma selfie e fotos dos documentos (é segurança, e não Instagram).
- Cadastre uma conta de um outro banco: Dentro do app, cadastra os dados bancários de um outro banco, para que quando estver disponivel, é o local que será debitado.
Assinatura Digital: Você assina o termo de sub-rogação direto na tela e indica sua conta em outro banco para receber o “cachet”.
Se você é ou vai receber como Pessoa Jurídica: o Portal do Investidor no site oficial do FGC. Já para casos de heranças (espólio) ou menores de idade, o contato é via e-mail ([email protected]).
Cuidado com os Vilões: O FGC foi categórico: não existem intermediários. Se alguém te ligar pedindo uma “taxinha” para acelerar o pagamento, bloqueie na hora! O FGC não cobra ingresso para devolver o que é seu por direito.






