Representantes da Ucrânia, dos Estados Unidos e da Rússia se reunirão para negociações nos Emirados Árabes Unidos nesta sexta-feira, dia 23. Este será o primeiro diálogo conhecido entre os três países desde o início da invasão em larga escala por Moscou, em 2022.
Um conselheiro sênior de Vladimir Putin afirmou nesta sexta-feira, após discussões entre o líder russo e emissários norte-americanos, que não há perspectiva de um acordo para encerrar o conflito sem que as disputas territoriais sejam resolvidas.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, disse que o tema central — o futuro da região de Donbas, no leste do país — será abordado nas conversas trilaterais mediadas pelos Estados Unidos em Abu Dhabi, nesta sexta e no sábado, dia 24.
Os diálogos ocorrem depois que Steve Witkoff, enviado especial do presidente Donald Trump, e seu genro, Jared Kushner, se encontraram com Vladimir Putin por mais de três horas, a partir da noite de quinta-feira, 22.
As partes não conseguem chegar a um consenso sobre o destino da região de Donetsk, uma das duas que formam o Donbas. As tropas russas já controlam quase toda a área de Luhansk, a outra região.
Putin exige que a Ucrânia se retire dos aproximadamente 20% de Donetsk (cerca de 5.000 km²) que ainda não foram capturados pelas forças russas no campo de batalha, onde enfrentam forte resistência. Zelensky declarou não ver razão para ceder esse território.
Donetsk é uma das quatro regiões ucranianas que Moscou anunciou, em 2022, sua intenção de anexar, após referendos considerados uma farsa por Kiev e pelas nações ocidentais.
A maior parte da comunidade internacional reconhece Donetsk como parte integrante da Ucrânia. Putin, no entanto, sustenta que a região pertence às “terras históricas” da Rússia.
O assessor do Kremlin, Ushakov, advertiu que “sem a resolução da questão territorial… não se pode esperar um acordo duradouro”. Ele complementou que a Rússia seguirá buscando seus objetivos “no campo de batalha, onde as Forças Armadas Russas mantêm a iniciativa estratégica”, até que um pacto seja firmado.
A delegação russa em Abu Dhabi será chefiada pelo almirante Igor Olegovich Kostyukov, diretor da Inteligência Militar principal. A equipe ucraniana incluirá o vice-chefe do gabinete presidencial e chefe do Estado-Maior, Andrii Hnatov.
Poucas horas antes de viajar para Moscou, Witkoff mencionou que as negociações estavam “reduzidas a uma única questão”, indicando que um entendimento poderia estar próximo.
“Acredito que chegamos a um ponto único, e debatemos diferentes variáveis sobre ele, o que sugere que há uma solução possível”, afirmou ele durante um evento em Davos na quinta-feira, 22.
Um oficial europeu confirmou mais tarde à CNN que a questão remanescente mencionada por Witkoff era, de fato, a territorial.






