Da seringa ao palco principal: o comprimido do Wegovy entra em cena: FDA aprova versão oral do medicamento e inaugura um novo ato no espetáculo global do emagrecimento, com impacto econômico, cultural e midiático.
Se o mercado de medicamentos fosse um festival, o Wegovy acabou de trocar o palco alternativo pela atração principal. A aprovação, pela FDA, da primeira versão em comprimido do famoso remédio antes restrito às canetas injetáveis inaugura um novo ato nesse roteiro que mistura ciência, dinheiro, desejo e muita expectativa. E sim, parece até estreia de cinema, com trailer, crítica especializada e bilheteria batendo recorde.
Produzido pela dinamarquesa Novo Nordisk, o Wegovy é baseado na semaglutida, substância que atua no hormônio GLP 1, responsável pela sensação de saciedade. Em termos dramáticos, ele entra em cena para reduzir o apetite e sair de fininho antes do exagero. Até agora, a atuação era semanal, via injeção. A novidade muda o ritmo do espetáculo: comprimido diário, mais simples, menos medo de agulha e, convenhamos, mais popular.
Segundo dados divulgados pela própria empresa, os testes clínicos mostraram perda média de 16,6 por cento do peso corporal. Cerca de um terço dos participantes perdeu mais de 20 por cento. Números que fazem qualquer produtor sorrir no camarim.
A aprovação acontece em meio a uma disputa digna de roteiro premiado. A Novo Nordisk enfrenta concorrência direta da Eli Lilly, dona do Mounjaro. O mercado reagiu rápido: ações da farmacêutica subiram quase 10 por cento após o anúncio. Para analistas ouvidos por veículos como The New York Times e Financial Times, a versão oral amplia o público e muda a lógica de consumo desses medicamentos.
Por aqui, a Anvisa aprova apenas as versões injetáveis. Wegovy, Ozempic e Mounjaro seguem sob prescrição médica e controle rigoroso. Até o momento, não há pedido oficial para versões orais no país. Sem ingresso falsificado, sem jeitinho.
Especialistas lembram que, apesar da praticidade, o acompanhamento médico continua essencial. Não é milagre, é tratamento. Como no teatro, o sucesso depende do conjunto, texto, direção e atuação.
Talvez estejamos assistindo ao início de uma nova temporada no tratamento da obesidade. Resta saber se o público vai entender que não se trata de mágica, mas de ciência com roteiro sério.






