A recente presença massiva de turistas argentinos em praias brasileiras traz à tona uma nostalgia das décadas passadas e pode ser atribuída à situação econômica da Argentina. O governo de Javier Milei tem implementado medidas focadas em um equilíbrio fiscal rigoroso, disciplina monetária e controle da inflação, sendo a gestão da taxa de câmbio uma estratégia chave. A valorização momentânea do peso em relação a moedas como o real brasileiro facilita as viagens para o Brasil.
A valorização do peso argentino é evidenciada pelo Índice Multilateral de Taxa de Câmbio Real do Banco Central da Argentina. Este índice revela que o peso está experimentando uma valorização significativa, a maior desde o fim da conversibilidade, com exceção de um breve período em 2015. De acordo com especialistas, essa situação torna destinos brasileiros mais acessíveis para os argentinos, enquanto os produtos oferecidos pelo Brasil tornam-se mais competitivos em relação aos locais.
A equipe econômica de Milei adotou, logo ao assumir, um modelo de ajuste mensal da taxa de câmbio oficial, que resulta em uma valorização do peso que não condiz com a inflação interna. Essa disparidade entre a valorização do peso e a inflação precisa ser analisada com cuidado, pois pode afetar setores estratégicos como o turismo e a exportação.
O ex-ministro Domingo Cavallo alertou para uma valorização excessiva do peso, o que gera preocupações não apenas no turismo, mas também na agricultura e na indústria que enfrentam a concorrência com produtos importados. Apesar das especulações sobre uma nova desvalorização, Milei afirmou que isso não está nos planos.
Prós e contras do atraso cambial
Embora a valorização do peso possa ser vista como uma estratégia para conter a inflação, ela também traz custos a médio e longo prazo. A competitividade de setores-chave pode ser impactada, criando um ambiente adverso para a economia. Desde janeiro, a diminuição do imposto PAIS sobre compras feitas com cartão no exterior incentivou ainda mais viagens, ampliando o fluxo de turistas argentinos para o Brasil.
A situação atual também afeta a capacidade da Argentina de inserir seus produtos nos mercados internacionais, impactando a arrecadação federal e reduzindo o fluxo de investimento direto estrangeiro. A incerteza em torno das regras econômicas tem desestimulado a atratividade do país para novos investimentos.
A necessidade de apoio popular
É importante considerar que o governo argentino está sob pressão para manter o apoio popular antes das eleições parlamentares, o que torna o controle da inflação uma prioridade. Essa situação política tem atrasado a revisão das restrições cambiais, pois há temores de que a liberalização gere aumentos de preços enquanto a economia busca um câmbio mais equilibrado.
Assim, a gestão da economia argentina enfrenta um delicado equilíbrio entre manter a valorização do peso e garantir que isso não comprometa a competitividade e a estabilidade a longo prazo, especialmente em um cenário de transição política e econômica. A experiência histórica mostra que a sustentabilidade das reservas cambiais é fundamental para enfrentar os desafios futuros, e o governo de Milei parece estar ciente disso.







