28 de janeiro de 2026
quarta-feira, 28 de janeiro de 2026

‘Tive um sangramento vaginal persistente e acharam que era leucemia ou púrpura, mas era HIV’

A criadora de conteúdo Jéssica Mattar, de 33 anos, recebeu o diagnóstico de HIV há três anos. O Brasil enfrenta um grave desafio, com cinco novos casos de HIV surgindo a cada hora. Infelizmente, o reconhecimento precoce desse vírus ainda é muitas vezes negligenciado no meio médico. Assim como ocorreu com Jéssica, os médicos tendem a suspeitar de outras condições antes de realizarem o teste para HIV, mesmo quando os sintomas estão presentes.

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O problema de saúde de Jéssica começou com um sangramento vaginal que durou mais de um mês, resultando em uma contagem de plaquetas de apenas 15.000, sendo que o ideal é a partir de 150 mil. Ela inicialmente acreditava que se tratava de um quadro menstrual desregulado.

Além do sangramento, Jéssica apresentou sintomas como sudorese noturna e manchas roxas pelo corpo, mas só relacionou esses sinais ao HIV após o diagnóstico. “Os sintomas do HIV são inespecíficos e podem se assemelhar a um resfriado ou dengue”, explica a infectologista Roberta Schiavon Nogueira, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

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Esses sinais podem ocorrer até seis semanas após a infecção, e, após esse período, muitos pacientes tornam-se assintomáticos, podendo permanecer assim por anos. Por isso, os testes de HIV são cruciais em casos de suspeita.

Quando Jéssica foi internada com hemograma desfavorável, as suspeitas médicas incluíam leucemia e púrpura, mas o HIV não estava nos planos. Uma hematologista foi responsável por descartar essas possibilidades após a internação. Jéssica, buscando informações nas redes sociais, se deparou com a ameaça do HIV, mas pensou que já havia sido testada durante sua internação. Foi somente ao questionar uma médica que descobriu que o teste para HIV não havia sido feito.

Com receio, Jéssica pediu que todos os testes para infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) fossem realizados e, em 6 de maio de 2021, obteve um resultado positivo para HIV. “Foi um choque, pensei que minha vida tinha acabado. Mas após pesquisar, percebi que havia vida após o diagnóstico”, reflete ela. O contágio ocorreu devido ao uso compartilhado de um canudo de cocaína com uma pessoa que posteriormente faleceu em decorrência da AIDS.

Após o diagnóstico, Jéssica começou um tratamento com antirretrovirais, que consistem em apenas dois comprimidos diários. Os princípios ativos dos medicamentos incluem dolutegravir, tenofovir e lamivudina. “Meu nível de linfócitos CD4 estava em 18 milhões quando fui diagnosticada. Em um mês, com o tratamento, já estava indetectável”, lembra.

Jéssica seguiu sua vida normalmente e, ao atingir indetectabilidade viral, casou-se e teve dois filhos. “Meu marido soube desde o início e me aceitou como sou. Para mim, meus filhos são um presente de Deus”, comenta. Ela relata que suas gestações foram tranquilas e que a única diferença foi que não pode amamentar. Embora ainda não haja garantias se o aleitamento materno é seguro, o risco de transmissão vertical durante a gestação se aproxima de zero quando a carga viral da mãe é indetectável, conforme explica a especialista.

Dessa forma, Jéssica é um exemplo de que, mesmo após um diagnóstico positivo para HIV, é possível ter uma vida saudável e plena, com amor e família.

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Redação
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Equipe de jornalismo

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