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Filho de Flavio Cavalcanti lança livro no centenário do apresentador, figura lendária da TV brasileira

Nossos comerciais, por favor! Esta é apenas uma das inúmeras célebres frases cunhadas pelo apresentador Flavio Cavalcanti, a mente brilhante, criativa, batalhadora e controversa que comandou programas de rádio e de televisão de grande audiência entre as décadas de 1950 e 1980. Ao lado de Chacrinha e Silvio Santos, ele se consagrou como uma das lendas da mídia brasileira e virou símbolo de uma época. Seu legado agora é revisitado no livro Senhor TV – A vida com meu pai, Flavio Cavalcanti (Matrix Editora, 200 páginas, R$ 46,00), escrito por Flavio Cavalcanti Junior, filho do comunicador.

Relato de quem acompanhou o apresentador por uma vida inteira, a obra dá aos leitores a oportunidade de entender com detalhes como pensava e agia Flavio Cavalcanti. Seu diferencial era o estilo polêmico, que ele cultivava com gosto, e que lhe rendeu problemas, desafetos e, claro, muita audiência. Nascido no Rio de Janeiro em 1923, ainda jovem conseguiu uma entrevista exclusiva com o presidente norte-americano John F. Kennedy.

Cavalcanti também é o criador do formato de júri da televisão brasileira. Pela extinta Rede Tupi, apresentou o primeiro programa exibido em rede nacional e que se tornaria líder de audiência. Lançou dezenas de cantores de enorme sucesso, como Alcione, Emílio Santiago e Fafá de Belém. Se não gostava do que ouvia, porém, não se acanhava em quebrar diante das câmeras os discos que, segundo sua opinião, reunissem músicas e letras de baixa qualidade.

Em Senhor TV, Flavio Cavalcanti Junior dá acesso aos bastidores da rotina pessoal e profissional do apresentador. Apesar de ter apoiado o movimento militar em seus primeiros momentos, o filho afirma que Cavalcanti se colocou contra o governo assim que percebeu que ele havia instaurado uma ditadura. 

Assim como a vida, a morte do apresentador também marcou a história. Em 22 de maio de 1986, após chamar os comerciais, Flavio Cavalcanti não voltou do intervalo para dar sequência a seu programa. Uma isquemia o levou para o hospital, onde ele morreu quatro dias depois. O falecimento motivou o SBT a substituir a programação do canal por uma nota de pesar, que permaneceu no ar ininterruptamente durante 24 horas. 

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