É comum ouvir, em momentos de correção ou impaciência, a frase: “Se você não se comportar, a polícia vai te prender.”
Dita sem maldade, quase como uma brincadeira. Mas o efeito que ela produz pode ser profundo e perigoso.
A polícia existe para proteger, ajudar, socorrer. Para estar presente quando alguém está vulnerável. Mas, quando a figura do policial é associada ao medo desde a infância cria-se uma barreira invisível entre quem precisa de ajuda e quem está ali para oferecê-la.
Uma criança perdida, assustada, longe de casa, carrega consigo tudo aquilo que aprendeu. Se lhe foi ensinado que o policial é alguém que pune, prende ou castiga, dificilmente ela irá se aproximar para pedir ajuda. O medo vence a confiança. E o silêncio pode custar tempo, segurança e até vidas.
A construção de uma polícia humanizada começa muito antes da viatura caracterizada, vem da educação social. Começa nas palavras que escolhemos, nas referências que passamos aos nossos filhos e no exemplo que deixamos. Ensinar limites não precisa envolver ameaças. Educar não exige criar inimigos imaginários.
Quando dizemos a uma criança que a polícia está ali para ajudar, para proteger e para cuidar, estamos formando cidadãos mais conscientes e seguros. Estamos ensinando que, em momentos de perigo, existe alguém a quem recorrer.
Humanizar a polícia também é humanizar o discurso. É substituir o medo pela confiança, a ameaça pelo diálogo e a distância pela proximidade.
Porque uma criança que confia na polícia é uma criança que sabe que nunca estará sozinha. É sobre iniciar uma cultura social sadia e responsável desde a primeira infância.
A polícia sempre estará aqui, para servir e proteger.








