Oficinas gratuitas levam o congo capixaba a crianças e jovens no Centro de Vitória e na Grande São Pedro, unindo ancestralidade, brincadeira e formação cultural durante as férias.
Nem só de tablet vive uma criança em janeiro. Em Vitória, o recesso escolar também pode ter som de casaca, tambor batendo no peito e história contada à sombra de uma árvore ancestral. O congo capixaba, patrimônio imaterial do Espírito Santo, vira protagonista de oficinas gratuitas voltadas para crianças e jovens, mostrando que cultura popular não é coisa de museu empoeirado, é coisa viva, que dança, ensina e diverte.
O projeto Circuito Avessinho realiza no dia 25 de janeiro a oficina “Mulembá: raízes da cultura afro-brasileira”, no Espaço Thelema, no Centro de Vitória. A atividade é destinada a crianças de seis a 12 anos, acontece das 15h às 17h e oferece dez vagas. Cada participante recebe o Kit Avessinho, com livros, ecobag e materiais para colorir. Cultura que se leva pra casa, literalmente.
A oficina será conduzida por João Ifakorede, contramestre de congo e educador do Coletivo Zacimba Educa. Segundo ele, o congo é uma poderosa ferramenta de desenvolvimento infantil. “A criança tem direito à cultura, ao brincar e ao lazer. No congo, ela desenvolve coordenação motora, fala e consciência cultural”, afirma. Para João, trata-se também de preservar saberes ancestrais e formar novas gerações de congueiros, algo urgente diante da perda de mestres mais velhos.
O nome Mulembá vem de uma árvore africana, símbolo de encontro, escuta e transmissão de conhecimento entre gerações. É exatamente essa a proposta das oficinas, criar um espaço coletivo de aprendizado e pertencimento. Como reforça a curadora do Circuito Avessinho, Josilene Nery, “saber de onde vem é fundamental para saber quem se é”. E aprender isso brincando é ainda melhor.
Além do Centro, a Grande São Pedro também recebe oficinas do projeto, com o músico Ailton Paiva, no Serviço de Convivência de Nova Palestina, voltadas para jovens de 10 a 29 anos, sem necessidade de inscrição. A iniciativa amplia o acesso ao congo em territórios onde a cultura pulsa no cotidiano, mas nem sempre encontra espaço formal de formação.
Em tempos de excesso de telas e falta de raízes, iniciativas assim lembram que identidade também se aprende no ritmo do tambor. E quem aprende cedo, cresce sabendo onde pisa e por que dança.
SERVIÇO
Oficina Mulembá [Circuito Avessinho]
Data: 25 de janeiro
Horário: 15h às 17h
Local: Espaço Thelema, Centro de Vitória
Público: crianças de 6 a 12 anos
Inscrição gratuita online
Oficina de Congo [Zacimba Educa]
Datas: 14 e 19 de janeiro
Horário: 14h
Local: SFCV de Nova Palestina, Grande São Pedro
Público: jovens de 10 a 29 anos
Inscrição: não necessária







