A corrida pelas estatuetas do Oscar 2026 entra em sua etapa crucial nesta segunda-feira, impulsionada por uma noite memorável para o cinema brasileiro no Globo de Ouro. A Academia de Artes e Ciências Cinematográficas inicia o período de votações para definir os concorrentes ao prêmio, com a divulgação oficial dos indicados marcada para 22 de janeiro.
Este movimento direciona os holofotes da indústria para a cerimônia principal, que acontecerá em 15 de março, em Los Angeles. Para o Brasil, as esperanças se concentram em O Agente Secreto, que ganhou fôlego após as conquistas de Wagner Moura, como melhor ator, e do filme, como melhor produção em língua não inglesa, no primeiro grande evento da temporada.
Academia mobiliza milhares de profissionais para selecionar os finalistas
A seleção dos indicados conta com mais de dez mil profissionais do setor cinematográfico, incluindo atores, diretores e executivos. Desta segunda até sexta-feira, esses membros votam na primeira fase para decidir quem competirá nas 24 categorias do prêmio.
Nesta etapa inicial, a Academia usa um sistema segmentado: os membros votam apenas em suas próprias áreas de especialização. Atores elegem atores, e editores escolhem os candidatos em montagem, garantindo que a perspectiva técnica predomine na escolha dos finalistas. A única exceção é a categoria de Melhor Filme, que recebe votos de todos os integrantes, independentemente de sua especialidade.
Após o anúncio dos nomes em 22 de janeiro, a dinâmica muda para a escolha final dos vencedores, entre 26 de fevereiro e 5 de março. Nesta fase decisiva, todos os membros podem votar em todas as categorias. A maioria dos prêmios é definida pelo candidato com o maior número de votos.
O prêmio principal, no entanto, utiliza um sistema de voto preferencial para eleger o Melhor Filme. Primeiro, cada integrante classifica os indicados por ordem de preferência. Depois, os votos são redistribuídos até que uma produção atinja a marca de 50% mais um, buscando um consenso entre os eleitores.
Cinema brasileiro busca consolidar sua presença nas indicações finais
O Agente Secreto chega a esta fase com credenciais sólidas, após garantir uma vaga na pré-lista de Melhor Filme Internacional e na nova categoria de Melhor Direção de Elenco. O longa dirigido por Kleber Mendonça Filho divide as atenções com o documentário Apocalipse Nos Trópicos e o curta Amarela, que também avançaram nas fases preliminares da Academia e reforçam um momento positivo da produção nacional.

O caminho até a indicação, porém, não é unânime. A revista Variety demonstrou isso ao retirar Wagner Moura de sua lista principal de favoritos pouco antes do Globo de Ouro. O ceticismo da crítica norte-americana, que reposicionou o ator para uma categoria secundária, foi confrontado pela vitória no domingo. O troféu recalibra as expectativas e mostra que o prestígio de Moura entre os votantes internacionais permanece forte.
Essas premiações funcionam como termômetros estratégicos, ainda que com critérios diferentes: o Globo de Ouro reflete a visão de jornalistas, enquanto o Oscar representa o reconhecimento direto dos pares da indústria. Portanto, a trajetória vitoriosa recente é essencial para manter o filme no radar dos dez mil membros da Academia que começam a votar agora. O desafio é transformar o destaque na crítica em votos concretos de atores e diretores.
Até a cerimônia de 15 de março, o calendário segue intenso, com o Spirit Awards e o anúncio dos indicados ao BAFTA, o “Oscar britânico”, previsto para 27 de janeiro. Essa sequência de eventos encerra a jornada iniciada em dezembro e definirá se o Brasil retornará ao palco do Dolby Theatre com chances reais de vitória.







