19 de janeiro de 2026
segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O consumo excessivo de açúcar prejudica a saúde mental

A conexão entre o açúcar e o bem-estar psicológico é mais complexa e reveladora do que muitos imaginam.

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Um estudo recente, que acompanhou cerca de 170 mil pessoas por mais de dez anos, trouxe detalhes importantes sobre como diferentes tipos de açúcar se relacionam com transtornos como depressão, ansiedade e comportamentos autodestrutivos.

A principal descoberta pode surpreender quem está acostumado a orientações radicais: tanto o consumo exagerado quanto a privação excessiva estão ligados a uma pior saúde mental. O risco, segundo os dados, está nos extremos.

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A pesquisa analisou várias categorias de açúcares na dieta, desde os naturalmente presentes em frutas e laticínios até os açúcares livres, adicionados a bebidas e alimentos processados.

Como era esperado, consumir grandes quantidades de açúcares adicionados, especialmente de refrigerantes e doces, foi associado a uma maior probabilidade de desenvolver depressão e ansiedade ao longo do tempo.

No entanto, o dado mais interessante mostra que pessoas com uma ingestão extremamente baixa de açúcar também apresentaram risco elevado, desenhando uma curva em forma de “U”: ambos os extremos, o consumo insignificante e o excessivo, foram relacionados a mais problemas emocionais, enquanto a moderação pareceu oferecer maior proteção.

Por que o cérebro precisa de glicose

A princípio, essa ideia pode parecer contraditória. Associar “proteção” ao açúcar não combina com a visão comum que o enxerga como um vilão completo. Porém, essa perspectiva simplista não se sustenta quando consideramos a fisiologia. O cérebro precisa de glicose, não em quantidades exageradas, mas em um fornecimento adequado para funcionar bem.

Restrições alimentares muito rigorosas podem elevar os níveis de hormônios ligados ao estresse, interferir nos neurotransmissores e prejudicar a relação emocional com a comida.

No outro extremo, o consumo crônico e elevado de açúcar promove inflamação, estresse oxidativo, alterações no metabolismo cerebral da glicose e diversos efeitos na microbiota intestinal, fatores amplamente reconhecidos pela ciência como ligados ao estado mental.

A pesquisa ressalta que não é o açúcar em si que define o humor, mas o contexto em que ele é consumido. O açúcar proveniente de frutas, cereais, leguminosas ou laticínios não age da mesma forma que o açúcar adicionado em refrigerantes e sucos industrializados.

Quando os carboidratos são ingeridos no contexto de uma dieta balanceada, rica em fibras, vegetais, grãos integrais e proteínas de boa qualidade, o corpo processa esse açúcar de maneira bem diferente, resultando em picos menores de glicose no sangue, maior sensação de saciedade e uma modulação benéfica da microbiota.

Alimentos que protegem o cérebro

É justamente entre os componentes que formam esse padrão alimentar de alta qualidade que estão os verdadeiros aliados da função cerebral:

  • Frutas e verduras ricas em polifenóis
  • Leguminosas e cereais integrais, fontes de fibras e prebióticos
  • Oleaginosas e azeite, que oferecem gorduras com ação anti-inflamatória
  • Peixes, ricos em ômega-3
  • Alimentos fermentados, que podem fortalecer a comunicação entre a microbiota intestinal e o cérebro

Esses grupos alimentares, estudados em modelos como a dieta Mediterrânea e a dieta MIND, mostram resultados consistentes na redução de sintomas depressivos e de ansiedade.

Entretanto, a nutrição, por mais influente que seja, não age sozinha. A ciência é clara: os fundamentos do estilo de vida impactam profundamente a estabilidade emocional. Ter um sono reparador, praticar atividade física regular, administrar o estresse, cultivar relações sociais positivas e evitar hábitos prejudiciais são tão cruciais quanto as escolhas alimentares.

Não há um único elemento responsável pela saúde mental, ela surge de um conjunto de decisões harmoniosas e integradas.

Em uma era de dietas radicais, classificações moralizantes e promessas de soluções rápidas, a lição deste estudo é revigorante: o equilíbrio funciona.

E, no que diz respeito ao bem-estar psicológico, funciona muito melhor do que posturas extremistas na alimentação. Não é preciso transformar o açúcar em um demônio, mas sim entendê-lo dentro de um padrão alimentar mais amplo, coerente e gentil com o corpo e a mente.

O desafio, e também a oportunidade, está em construir uma relação com a comida que não seja pautada por culpa, medo ou controle rígido, mas por discernimento, atenção e cuidado. Uma relação na qual a doçura venha menos do açúcar em si e mais do que ele representa: prazer, conexão humana e expressão cultural. E, é claro, sempre com moderação.

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