sexta-feira, 4 de abril de 2025

“Escolas sem paredes” lutam pela educação em Gaza

Em Gaza, onde a devastação se faz presente e as estruturas de educação tradicionais foram em grande parte destruídas, um movimento inovador tem surgido para garantir o direito à educação. Equipes de professores estão mobilizando crianças e adolescentes em tendas provisórias e nas ruas, buscando não apenas oferecer ensino, mas também apoio psicossocial. Essa iniciativa é liderada pelo Centro de Criatividade para Professores, uma organização palestina sem fins lucrativos que se dedica a proporcionar um espaço seguro para as crianças em meio ao caos.

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Refaat Sabbah, diretor geral da instituição, compartilhou sua visão na Reunião Global de Educação, realizada em Fortaleza. “A educação vai além de ensinar a ler e escrever; é fundamental preparar os jovens para entender a vida em tempos de crise”, afirmou. Ele enfatiza a importância de cultivar solidariedade e humanidade em uma sociedade que tem enfrentado tanto sofrimento. Para ele, uma educação significativa não pode ser desassociada de uma profunda compreensão do que significa ser humano.

Desde o início do conflito em Gaza, as estatísticas são alarmantes: mais de 43 mil palestinos foram mortos, sendo aproximadamente 19 mil crianças, conforme dados da Federação Palestina no Brasil. A ONU relatou que, até meados de outubro, cerca de 1,9 milhão de pessoas, representando 91% da população local, foram forçadas a se deslocar dentro da região.

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“Às vezes, sinto que estou vivendo um pesadelo. Por um momento, fica difícil acreditar que a realidade que vivemos é verdadeira”, desabafa Sabbah, refletindo sobre a situação angustiante. O Centro de Criatividade para Professores já atendeu mais de 200 mil crianças e cerca de 100 mil famílias, oferecendo suporte emocional e orientação para lidar com a perda de entes queridos e o trauma da guerra.

Inspirado pelos ensinamentos do educador brasileiro Paulo Freire, o Centro compreende a educação como uma ferramenta de transformação social. Sabbah menciona o conceito de “escolas sem muros”, onde a comunidade é integrada ao processo educativo. “Em Gaza, não há como se isolar em instituições educacionais que não reconhecem a realidade ao seu redor. Muitas escolas foram destruídas; 61% delas foram afetadas diretamente, segundo o relatório de Monitoramento Global da Educação da Unesco”, explica.

A nova abordagem, conforme Sabbah, implica em criar “escolas abertas” que podem ser montadas a qualquer momento e em qualquer lugar, desde que seja ao lado das crianças afligidas pelo medo. Através da educação, é possível fomentar uma compreensão crítica sobre o que está acontecendo, questionando ações de potências globais e promovendo reflexões sobre a vida e a morte.

Além de seu trabalho na organização, Sabbah integra o Comitê Diretor de Alto Nível da ONU para o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 4, que busca garantir acesso à educação em todo o mundo. Sua presença em eventos como o de Fortaleza visa disseminar a urgência de apoio global e chamar a atenção para as violações de direitos humanos em Gaza.

“É alarmante o silêncio que predomina entre muitos países. Embora a população em geral seja favorável aos direitos dos palestinos, essa realidade não se reflete nas ações oficiais. Venho à Fortaleza com a esperança de que a visibilidade pode fazer a diferença”, conclui.

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