Um recente estudo realizado por psicólogos ingleses, publicado no Journal of Experimental Child Psychology, revela que a percepção do peso corporal e os julgamentos sobre a aparência física começam a se desenvolver na primeira infância, especificamente aos sete anos de idade. Essa pesquisa destaca como as crianças já estabelecem comparações de forma semelhante aos adultos, utilizando referências que muitas vezes são moldadas por imagens veiculadas pela mídia.
A pesquisa envolveu a análise de como crianças e adolescentes percebem e avaliam o peso de diferentes corpos. Os resultados indicam que essas percepções são influenciadas principalmente pela exposição a imagens de diversos tipos de corpos, que impactam tanto crianças quanto adultos de maneira semelhante. O estudo sugere que as estimativas de peso dos participantes podem ser ajustadas em resposta a imagens analisadas.
Influência da mídia e da estética corporal
Os voluntários da pesquisa foram apresentados a fotografias de indivíduos com diferentes pesos e, em seguida, tiveram suas estimativas de peso influenciadas por imagens alteradas digitalmente, representando porções corporais maiores ou menores. O fundamento por trás desse fenômeno é que a exposição contínua a corpos magros, presentes em diversos meios de comunicação, perpetua uma influência negativa sobre a autoimagem, levando as crianças a desenvolverem uma compreensão distorcida do que é considerado “ideal”.
Os resultados revelam uma preocupação com a normalização dos corpos magros, que podem invisibilizar a diversidade corporal e criar padrões irreais desde a primeira infância. A psicóloga Lynda Boothroyd, autora principal do estudo, enfatiza a importância de uma representação mais inclusiva e diversificada na mídia, ressaltando que mesmo imagens que parecem neutras podem impactar a percepção das crianças sobre o peso corporal.
A descoberta traz à tona a necessidade de práticas mais responsáveis na forma como os corpos são apresentados na mídia, destacando que a adolescência e a infância são períodos cruciais para a formação das percepções corporais. O alerta dos pesquisadores é claro: a exposição a imagens limitadas e padrões estéticos distorcidos deve ser monitorada de perto para evitar consequências prejudiciais à saúde mental e à autoestima dos jovens.
Estudos sobre a imagem corporal e suas repercussões
Esta pesquisa, realizada pela Universidade de Durham, se junta a um corpo crescente de estudos que investigam a relação entre a representação corporal nos meios de comunicação e a saúde mental. Pesquisas anteriores já haviam demonstrado que a influência da mídia varia entre diferentes grupos culturais, o que também pode afetar as atitudes relacionadas ao corpo.
O próximo passo do grupo de pesquisa será examinar como os jovens lidam com essas pressões sociais e a representação corporal em sua vida cotidiana. Ao ampliar o entendimento sobre esse tema, espera-se contribuir para um debate mais completo e consciente sobre a saúde e a imagem corporal.