As comunidades quilombolas de São Mateus, no Espírito Santo, têm enfrentado sérias dificuldades após o desastre de Mariana, em 2015. Durante uma visita da Caravana Interministerial do Novo Acordo do Rio Doce, Pedro Leite Costa, um quilombola da comunidade de Degredo, compartilhou as graves consequências da contaminação da água. “Perdi cerca de dez cabeças de gado e algumas vacas abortam”, lamentou.
A presença da Caravana no município é um passo importante para abordar as necessidades das comunidades afetadas. “É um começo para nossa solução”, enfatizou Pedro, reconhecendo a dor e os desafios enfrentados por sua comunidade.
Visita à comunidade
A Caravana Interministerial do Novo Acordo do Rio Doce se dedicou a visitar diversas comunidades impactadas pelo desastre, realizando uma semana de diálogos com os moradores. Em 27 de março, a reunião focou nas lideranças quilombolas de Degredo e nas comunidades do território de Sapê do Norte. O principal objetivo foi ouvir as demandas da população afetada pelo rompimento da barragem de Fundão e apresentar os detalhes do acordo que irá investir R$132 bilhões em reparação ao longo de 20 anos.
Acolhimento às demandas
Representantes do Governo Federal participaram da Caravana, cujo propósito era esclarecer dúvidas e receber as demandas da população. Isabela Cruz, diretora da Secretaria de Territórios Tradicionais do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, destacou a importância de conhecer a realidade local, enfrentando desafios e esclarecendo informações para evitar a disseminação de notícias falsas.
Mestres de cultura e diálogos
Na última jornada da Caravana, os participantes encontraram-se com mestres de cultura da comunidade Macuco. Além disso, uma plenária na comunidade de Nova Vista atraiu cerca de 5,5 mil pessoas de diferentes comunidades quilombolas, proporcionando um espaço para discutir o Novo Acordo e os impactos específicos nos quilombos.
Karen Emanuella Bezerra, analista de políticas sociais, ressaltou a relevância do contato contínuo com as comunidades. “Esse envolvimento gera confiança e é essencial para as ações que estamos desenvolvendo”, afirmou. A Caravana, portanto, não apenas busca reparação, mas também um laço de diálogo e entendimento com os atingidos.