O presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou, em entrevista, que não enxerga problemas em estabelecer um diálogo direto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Essa conversa visa a busca de um acordo que evite a imposição de tarifas entre os dois países, especialmente considerando a iminente entrada em vigor de taxas americanas em 2 de abril.
Na ocasião, Lula afirmou que não hesitaria em ligar para Trump, se necessário. Ele ressaltou que a divergência ideológica entre os dois líderes não deve ser um impedimento para que mantenham comunicações produtivas. A experiência de Lula e sua disposição para diálogo destacam a importância das relações bilaterais, mesmo diante de divergências.
Brasil e tarifas norte-americanas
O presidente brasileiro anunciou que o Brasil está preparado para recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC) em resposta às tarifas de 25% impostas pelo governo americano sobre produtos brasileiros de aço e alumínio. Lula também está considerando a possibilidade de implementar tarifas recíprocas. A busca por um livre comércio é prioridade, e Lula mencionou a necessidade de utilizar todos os recursos disponíveis para evitar um confronto direto sobre os impostos.
Em relação às tarifas de 25% que Trump planejou aplicar aos automóveis fabricados fora dos Estados Unidos, Lula enfatizou a interdependência global. Ele observou que essa decisão unilateral pode não trazer benefícios duradouros para os EUA, destacando a importância do comércio multidirecional.
Resultados da viagem ao Vietnã
Lula retornará ao Brasil após uma viagem oficial ao Vietnã, que resultou em avanços significativos, incluindo a abertura do mercado vietnamita para a carne brasileira. Durante a visita, o presidente também fez um convite ao Vietnã para participar da cúpula dos Brics e discutiu um acordo de aviação entre os dois países.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, estabeleceu uma meta ambiciosa de alcançar um comércio bilateral de US$ 15 bilhões até 2030, aumentando a conexão econômica que já ultrapassou US$ 7 bilhões em 2024.
Aeronaves da Embraer e investimento da JBS
Lula comentou sobre as negociações para a possível venda de aeronaves da Embraer para o Vietnã, expressando otimismo quanto ao interesse em adquirir até 50 aviões. O presidente também reforçou o acordo com a JBS, que está considerando a construção de uma fábrica no Vietnã, aproveitando a abertura do mercado para carne brasileira.
Durante um encontro com empresários, Lula anunciou que uma empresa brasileira faria um investimento significativo de US$ 100 milhões em processamento de carne no Vietnã, sinalizando uma colaboração promissora entre os dois países. A Embraer e a JBS foram parte da delegação empresarial que acompanhou Lula durante sua visita.