O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, destacou em declaração recente que, no curto prazo, o Brasil deverá enfrentar uma situação em que a inflação, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), permanecerá acima da meta estabelecida pela autoridade monetária. O limite superior dessa meta é de 4,5%.
Em uma coletiva relacionada ao Relatório de Política Monetária (RPM), Galípolo revelou que será a primeira vez que um chefe do Banco Central precisará redigir duas cartas ao presidente do Conselho Monetário Nacional (CMN) em um mesmo ano, explicando as razões para a inflação superar o limite. A primeira carta foi enviada em janeiro.
Acelerando a comunicação, Galípolo enfatizou que o país deve aceitar um nível de IPCA elevado a curto prazo, mesmo diante de uma Selic em patamares altos.
Expectativas futuras
Ele também indicou que, em um ambiente de incertezas, novas elevações nas taxas de juros devem ocorrer, mas em intensidade reduzida. A próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), agendada para os dias 6 e 7 de maio, será crucial para determinar a continuidade dessa estratégia.
Na entrevista, Galípolo evitou citar detalhes sobre deliberações futuras, reafirmando que o Banco Central busca preservar sua autonomia e agilidade nas decisões.
Comprometimento com a meta de inflação
Galípolo enfrentou críticas relativas ao comprometimento da instituição com a meta de inflação, mencionando que um aumento de 3 pontos percentuais na Selic demonstra claramente esse compromisso. Ele ressaltou a seriedade das medidas e a importância da comunicação transparente aos cidadãos.
Autonomia dos diretores
Durante a coletiva, Galípolo também abordou a autonomia dos membros do Copom, afirmando que todos têm liberdade para expressar suas visões e que as decisões não foram influenciadas unicamente por seu antecessor, Roberto Campos Neto.
Ele se afastou de afirmações que sugeriam que os aumentos nas taxas de juros estavam “contratados” pelos seus predecessores, enfatizando o papel de cada membro do comitê na formulação das políticas monetárias.
Função de reação do BC
O presidente detalhou a função de reação do Banco Central neste cenário desafiador, explicando que a atual estratégia envolve aumentar as taxas de juros a um ritmo mais acelerado do que o crescimento da inflação, como forma de resposta a um orçamento fiscal robusto.
Galípolo identificou que as expectativas de mercado estão desancoradas, complicando a condução das políticas monetárias, e afirmou que o Banco Central está ciente dos desafios atuais, dedicando-se a um diálogo contínuo sobre as possibilidades de resposta a essas variáveis.
Núcleos inflacionários
Por fim, Galípolo reagiu a comentários do vice-presidente Geraldo Alckmin, que mencionou a abordagem do Federal Reserve em relação ao núcleo da inflação, que exclui alimentos e energia. O presidente do Banco Central reafirmou a satisfação com o atual arcabouço de políticas adotadas e destacou que os núcleos inflacionários também estão acima da meta nos últimos 12 meses.