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O que esperar para os próximos meses

A inflação em 2022 foi de 5,79%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em dezembro, ela veio acima do esperado pelo mercado. O consenso era de 0,49% e o IPCA veio com alta de 0,62%. O acumulado em 12 meses foi menor desde março de 2021. Mas os desafios para 2023 são grandes, as expectativas para a inflação vêm aumentando nas últimas quatro semanas, segundo o boletim Focus, do Banco Central. Elas estavam em 5,08% e agora passaram para 5,36%. “Já está se olhando para 2024”, diz Ariane Benedito, economista especializada em mercado de capitais.

O Itaú aponta que, no curto prazo, o tom das revisões deve
ser altista, devido à surpresa dos dados desta terça (10) e coleta de preços de
combustíveis na bomba mais forte na primeira semana do ano.

“O cenário terminou 2022 mais benigno do que se imaginava no ano passado, o que ajudou nas decisões do BC e, caso a inflação siga sem grandes surpresas, a autoridade monetária deve seguir o plano de voo atual”, diz o economista-chefe da Suno Research, Gustavo Sung.

Aumento dos combustíveis e questão fiscal

O que também pode estimular a inflação nos próximos meses é o
fim da desoneração de tributos federais sobre o preço dos combustíveis.

“Elevação de impostos é risco adicional”, aponta a XP
Investimentos, que mantém em seu cenário-base a volta da cobrança de PIS/Cofins
e da Cide este ano, apesar da recente prorrogação, até o final de fevereiro, no
caso da gasolina e do etanol.

Outros fatores podem pesar: novos ruídos na esfera política,
dificuldade na discussão sobre o novo arcabouço fiscal e a elevação de gastos
públicos e seus efeitos indiretos sobre a atividade econômica. Isto pode fazer
com que as expectativas de inflação comecem a subir de forma mais relevante.

Segundo Sung, neste caso, o Banco Central pode vir a tomar uma atitude mais tempestiva. A alternativa seria retomar a alta na Selic, interrompida pelo Comitê de Política Monetária (Copom) em setembro.

O economista-chefe da Nova Futura Investimentos, Nicolas
Borsoi, acredita que o Copom vai esperar até fim do primeiro trimestre para
decidir sobre uma possível retomada do ciclo de alta nos juros.

“Nosso cenário básico é de que o BC não irá cortar a taxa Selic em 2023, mas dependendo da transmissão da inflação de serviços pela PEC da Transição e se a desoneração de combustíveis acabar, acreditamos que há chances significativas de o Copom retomar o ciclo de alta no segundo trimestre”.

Ariane vê espaço para uma queda na Selic ainda este ano, pelo fato de o Brasil estar com a maior taxa real de juro do mundo. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já qualificou esta situação como anômala.

“Ter um alto juro real também tem um efeito nocivo para a
economia. De um lado, aperta a atividade econômica, de outro não incentiva o
investimento produtivo”, diz a economista.

Como o cenário externo pode impactar na inflação em 2023

Um fator que, em menor grau, pode impactar na inflação doméstica
é o cenário externo. A inflação está mais comportada nas principais economias
globais, porém em níveis ainda elevados.

Um levantamento divulgado nesta terça pela Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), mostra que, nos 12 meses
encerrados em novembro, a inflação caiu para 10,3%, um pouco menos que o nível
recorde, de 10,7%, registrado em agosto. Houve queda em 25 dos 38 países-membro.

Um dos principais componentes da inflação nessas economias,
a energia, mostra sinais de arrefecimento. Os preços aumentaram 23,9% no
período de 12 meses encerrados em novembro. É a menor taxa anualizada desde
setembro de 2021.

“É um cenário que inspira cuidado, porque obriga as economias a manterem as taxas de juro elevadas”, diz Ariane. É o caso dos Estados Unidos, que ainda não terminaram o ciclo de alta na taxa referencial. Isto pode favorecer uma valorização do dólar frente ao real, contribuindo para aumentar o preço das commodities, que ainda se encontram em patamares elevados.

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